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21/12/2009

Investir em gente!

Muitas empresas praticam ações de responsabilidade social. Os relatórios entusiasmam, enchem de orgulho as corporações, impressionam quem os lê.



A criatividade nessas ações muitas vezes é admirável. O que no início era quase prosaico, como uso de papel reciclado e coleta seletiva do lixo, adquiriu múltiplas faces e refinamento. Há quem substitua ou reduza emissões no meio ambiente. Há patrocínios de instituições para crianças, idosos, doentes, carentes. Há liberação do trabalho um dia por mês a funcionários que comprovam participar da ação de responsabilidade social da sua escolha. Há as que plantam ou distribuem mudas para plantar árvores. Você que me acompanha poderá fazer a sua lista. Belas ações se multiplicam e enobrecem quem as pratica.



A pergunta que quero fazer é: “As empresas que adotam práticas socialmente responsáveis têm com seus colaboradores a mesma atitude?”.



Michael Porter, guru da competição estratégica e autor, entre outros, do livro Repensando a Saúde, sugeriu nas palestras que fez no Brasil neste início de dezembro que a responsabilidade social das empresas hoje é um dos pontos críticos para seu sucesso. Responsabilidade interna deveria ser o começo de tudo que se queira dizer e fazer nas companhias. Ocupar-se com as condições no ambiente de trabalho, programas de alimentação adequada, atenção à saúde e hábitos de vida dos funcionários será pré-requisito para toda empresa que quiser ser socialmente responsável.



Um projeto de saúde deve contemplar todos os ciclos, desde a saúde ocupacional, imunizações, rastreamento de doenças e fatores de risco, procedimentos preventivos periódicos, ações para controle e erradicação de tudo que pode levar à doença ou encurtar a vida. Isto faz bem. Possibilita vida melhor e mais longa, bem-estar, felicidade. Programas de apoio na demissão fazem parte deste conceito. Para a empresa, além do orgulho de promover seus trabalhadores, gera mais produtividade. O investimento nestas ações retorna com vantagem.



Ouvi, do executivo principal de uma empresa, que renovara o plano de saúde 30% mais caro que a concorrência porque seus funcionários estavam satisfeitos e porque este não é somente um plano de doença, e sim de saúde, por todo o leque de ações que proporciona. Acrescentou: “Na alimentação, também não nos preocupamos apenas com custos: sob orientação nutricional e com qualidade nos orgulhamos do nosso refeitório”.



Porter comprova com gráficos e tabelas: quem investe nas suas pessoas tem melhor resultado, produtividade, estabilidade no quadro funcional, menor absenteísmo. Muitas vezes, gastar mais pode custar menos se medir-se o resultado final. Empresas que adotaram as melhores práticas de recursos humanos costumam ir melhor.



Este será o alicerce da responsabilidade social em todas as empresas.

Contato: Flavio José Kanter

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